terça-feira, 4 de março de 2008

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Aquilo que te falta,
Ofereça!
Não busques em outrem
Se não encontra em ti

À ausência de soma,
Qualquer divisão é mesquinha.
Multiplique e eleve
E então fracione

Condene a abundância,
Mas não destines escassez
A ninguém, o todo
A todos, uma parte

Não mendigue
Nem jogue esmola
Não seja obstáculo
Nem torna-te ponte

sábado, 1 de março de 2008

...

Estilhaços estão pelo chão
E fazem sangrar estes pés,
Desprotegidos e desavisados,
Nem doem, nem compadecem
Ignorantes ao espelho que quebrou

E a luz se reflete, tão bela
Lascinante, cega estes olhos
Que jamais viram além
Desta imagem refletida
Neste pedaço de areia,
Derretida e petrificada

As mãos, suaves e calejadas
Tateiam paredes,
Procuram lugar seguro
Mas nunca sentiram o perigo
De abandonar espada e escudo

Sons, respiram descompassados
Ao ritmo pulsante do peito aberto
Que bate, apanha, e não sofre
Que se encolhe dentro de si
Querendo abraçar o mundo

Palavras balbuciadas gemem a dor,
Que não se sente
Contam a vida,
Que não se vive
Falam com paixão que não arde
Nem queima, nem nada